sábado, outubro 15, 2011
Uma crise que é de todos




Cada um deve pôr a mão na consciência e analisar o que fez ou faz para que chegássemos a um ponto em que não sabemos muito bem o que queremos uns dos outros. Mas convenço-me, cada vez mais, que muitos protestam em nome de um certo "canibalismo" social, outrora a chamada luta de classes: os ricos que paguem a crise, é o que ouço muitas vezes, quando na verdade são muitos mais aqueles que levaram a este quase-caos. Todos. E se alguns não têm culpa directa, foram co-responsáveis a partir do momento em que foram apáticos e coniventes e viveram num circo de ilusões. Enchiam estádios de futebol no Euro 2004 ou pensavam que era com exposições sobre Oceanos que ficariamos ricos e felizes para sempre... Até ao dia em que tivemos que pedir fiado à Europa e ao mundo [é absolutamente incompreensível pensar que a "troika" é o nosso carrasco, quando ela só cá está porque não soubemos ser crescidos, sérios e responsáveis... e ainda nos paga o prato de sopa que comemos].
Muitos milhares que se indignam contra o actual estado de coisas querem também um estilo de vida que, aliás, sempre os acompanhou. Querem um mundo de fantasias? Primeiro, a igualdade não existe, e só serve quando lhes dá jeito, porque se aqueles que a apregoam, deviam pensar que a igualdade é tanto para pobres como para ricos. Segundo, o fanatismo advém desde logo da precipitação de raciocínio. Fanáticos são os extremos, tanto da esquerda como da direita, e que querem liderar (ou minar) os protestos.
Indignados de todo o Mundo uni-vos, sim, mas não esqueçais que os problemas não estão só nos outros. Está como sempre esteve: em cada um de vós. Acabou-se a era do carro no parque da faculdade, a casa paga a 120 por cento com crédito do banco, que ainda deu para o carro, o emprego para uma vida de sol a sol, ou a reforma eterna.
Tudo tem um preço: em Portugal, o tempo das auto-estradas, pontes, viadutos, cidades de patos-bravos, centros comerciais, importação, consumo opulento, férias lá fora ou no Algarve de cá de dentro, está a chegar ao fim. Prefiro chamar-lhe nova etapa, de mais responsabilidade, porque basta olhar para os impostos que iremos pagar.

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sexta-feira, outubro 07, 2011
É por estas...
... e por outras que Portugal chegou a uma situação de pré-bancarrota e de derrota geracional. Nos últimos 90 dias, o aeroporto de Beja recebeu 164 passageiros (não, não falta nenhum zero - é mesmo, cento e sessenta e quatro).

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sábado, outubro 01, 2011
O Brasil que ignora Portugal
Da mesma forma que temos uma ideia errada dos brasileiros, também os brasileiros têm uma visão deturpada de Portugal. São os desencontros incompreensíveis entre duas culturas. Passar por cima - ou ao lado - de Portugal, significa perder a oportunidade de conhecer um lugar e um povo que também é do Mundo. Aqui.

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