sexta-feira, junho 30, 2006
Propaganda
Simplex, vulgo Programa de Simplificação Administrativa e Legislativa, PRACE, sigla de Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado, banda larga, viacttt, portal Netemprego e Empresa On-line. Eis as mais recentes jogadas do Karpov de São Bento. É melhor que nada, sem dúvida; agora, não é que isto me cheira a bluff? Passo a explicar: que é feito das medidas de fundo? Ninguém sente arrepios quando ouve que a segurança social está a caminhar para a ruptura? Ninguém protesta com o excesso de gordura no Estado, sem que se saiba exactamente quantos funcionários públicos há em Portugal? A corrupção, o que se tem feito para eliminar este roedor da democracia? Parece que basta termos o assassino de Santa Comba, e vermos o seu rosto escarrapachado nos jornais, que o país fica eufórico. Já temos um diabo em terras lusas, que só na América julgávamos existir. Amanhã, e depois de mais algum fait-divers, o rectângulo voltará a embriagar-se no momento da batalha Inglaterra-Portugal. No final da disputa, saberemos em que estado estará o país. Se adiado por mais uns dias, ou condenado a não encontrar um rumo. Melhor que o de hoje.
 
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O golpe na classe média
Beneficio foi prerrogativa que nunca concedi a este Governo. Pouco esperava de um executivo liderado por José Sócrates. Bastava-me lembrar as polémicas com a co-incineração, ou sobretudo o seu estilo trauliteiro em lidar com a imprensa.

O assunto de hoje é revelador. O Governo, notica o Jornal de Negócios, pondera acabar com determinados benefícios fiscais. A concretizar-se a medida, estará dada mais uma machadada na classe média, que pouco pode fazer para deixar de ser a grande vítima de um sistema que incide, de uma forma atentadora, sobre os seus rendimentos. Acabar com as deduções das despesas da educação? Eliminar com o fim das deduções à colecta com energias renováveis? Cortar com as deduções das despesas com lares?

Para um cidadão como eu que dispende 1500 euros por ano em educação, isto é mesmo um tiro certeiro. A minha preocupação com a poupança energética vai começar a ficar em causa, já que este Governo, que propagandeia a torto e a direito a multiplicação de centrais eólicas, não está a ser coerente. Quanto aos lares, pouco tenho a acrescentar nesta linha de raciocínio. Mais vale largarmos os velhos junto à Santa Casa da Misericórdia mais próxima, que talvez tenham outro tratamento.
 
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quinta-feira, junho 29, 2006
O calhau da semana vai...

... para Fernando Ruas. Este homem, edil-dinossauro, presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, arquitecto-mor das rotundas de Viseu, e agora convertido a líder radical da Intifada à moda portuguesa, merece um prémio. E estou a dizê-lo em «sentido figurado». Para que conste nos anais da burrice, aqui reproduzo: «Corram-nos à pedrada, a sério. Arranjem lá um grupo e corram-nos à pedrada. Eu estou a medir muito bem aquilo que digo», afirmou Fernando Ruas, referindo-se ao modo como os autarcas e as gentes de Viseu devem acolher os fiscais do Ministério do Ambiente.

Este cartoon é hoje reproduzido na última página do DN, de 29 de Junho.
 
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O bode expiatório
Ao contrário de todo o mundo do futebol, sou da opinião que o árbitro russo Valentin Ivanov não exagerou nos cartões. Ivanov cometeu apenas um erro. Foi demasiado brando na falta que lesionou Cristiano Ronaldo. Nessa ocasião, o árbitro devia ter mostrado o cartão vermelho, e aí teria segurado o jogo, que acabou por descambar por completo. Todos os cartões mostrados - 16 amarelos e 4 vermelhos - foram justos.

O árbitro russo tornou-se no bode expiatórios de uma arbitragem neste campeonato, que nos deixa muito a desejar. E o que dizer do penalty inventado contra a Austrália e que favoreceu a Itália. E o segundo golo do Brasil, frente ao Gana? Ninguém critica estas falsidades da bola?
Por estas e outras razões, considero que o árbitro do Portugal/Holanda não deve ser crucificado. Quem deve levar uma reprimenda, essa sim, deve ser o senhor todo-poderoso da FIFA, Joseph Blatter, que logo a seguir ao jogo, quis dar um cartão amarelo ao homem do apito. Inadmissível que alguém com tamanha responsabilidade, venha a quente comentar arbitragens, e numa fase tão importante de um campeonato! Pessoas como Blatter não fazem falta ao futebol. São precipitadas, incompetentes e irresponsáveis.

Há uma coisa que ainda não ouvi ainda muito desenvolvida: a selecção portuguesa tem jogado mal. Não fosse a inspiração de Maniche, a mestria e forma de Figo e a arte de Deco, Portugal já não estaria na Alemanha. Se não vejamos: jogámos contra Angola, Irão, México e Holanda. Alguém se lembra já dos momentos destes jogos, a não ser da emoção nas situações em que a armada holandesa corria para a grande área de Portugal?

Por este andar, ainda corremos o risco de levar uma goleada no(s) próximo(s) jogos(s). Tal não aconteceu na segunda parte do jogo contra a Holanda, vá-se-lá saber… Por sorte, por acaso, eu sei lá…
 
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terça-feira, junho 27, 2006
As 11 coisas que o mundo mais odeia em mim
sem qualquer ordem definida

1 - Formula 1 : As pessoas não entendem como é que eu posso por a formula 1 à frente de todas as coisas. A verdade é que ponho mesmo.

2 - Piadinhas: A forma como eu faço piadas consecutivas sobre uma pedra da calçada. À primeira até tem graça , à 6ª ... bem... nem tanto.

3 - Insensibilidade: Posso ser cruel com os sentimentos amorosos dos outros. E como posso ser dramático em relação aos meus...

4 - Atacadores desapertados: 9 em cada 10 pessoas já me avisaram. Um dia eu vou magoar-me a sério.

5 - Complicadinho da merda em relação a mulheres: Joker pá, tu tens razão, mas fazer o quê...?

6 - Desarrumação: Calças, papeis e latas de salsichas a povoar o chão da minha sala. Dentro da cabeçao caos é bem pior e não me queixo. Deixem-me em paz!

7 - Mania que só se está bem na Beira Interior: Isto irrita especialmente o pessoal de Lisboa. E o problema é que na discussão eu não dou o braço a torcer em nenhum ponto. [admito, dá-me um certo gozo].

8 - Bater as palmas quando os alunos estão a fazer barulho: Pode por os nervos em franja ao mais calmo dos discentes. Mas caramba, quem manda?

9 - Guiar acima do dobro dos limites legais e vangloriar-me por isso: Já me custou um carro desfeito e um dia pode ser que me custe o nariz partido, mas é mais forte do que eu.

10 - Ser um animal a vigiar frequências: Pareço o big brother. Faço uma cara de mau e revisto tudo. Mesmo assim há ainda quem consiga copiar alguma coisa. Até ao dia...

11 - Hipocondria: " Ai que me dói aqui! vou morrer! vou morrer!" Coninhas!
 
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segunda-feira, junho 26, 2006
crónica amargurada de um adepto de formula 1
Adoro a nossa selecção. Não tenhamos dúvidas. Mas enquanto adepto de fórmula 1 não posso deixar de sentir-me indignado com a postura da RTP perante o meu desporto preferido. Tendo comprado os direitos de transmissão em sinal aberto a televisão pública resolveu, sem qualquer explicação lógica, passar o Grande Prémio do Canadá de ontem para a RTPN. Ora e porquê? porque tinham que dar o Ultimo Samurai entre as 6 e as 8 da tarde. Eles pagaram milhões dos nossos impostos para ter o campeonato do mundo de F1 em sinal aberto e depois obrigam as pessoas que queiram assistir a ter TV Cabo.

A importancia que se dá ao futebol na comunicação social deste país é absolutamante estapafúrdia. Notícias cheias de nada. Reportagens atrás de reportagens de sardinhadas, de tipos que vão de bicicleta, de prognósticos ridículos de festas e festinhas com cantores pimba. O auge foi ontem na sic o Nuno (?) Eiró a perguntar a uma emigrante na Alemanha quantas vezes comia a salsicha do seu marido por semana...

Esta euforia balofa atira tudo para segundo plano. Nomeadamente outras modalidades desportivas que deixaram de ter lugar na comunicação social generalista. A RTP devia ter mais respeito pelos adeptos de outros deportos como a F1, o ténis ou o ciclismo, modalidades de topo que não têm espaço à custa do futebol. Ontem, e perdoem-me todos, estava completamente marimbando-me para a selecção de tão irritado que estava...

É claro, que quando vi que podiamos mesmo ganhar aquilo me colei ao ecrã e tive uma taquicardia nos segundos finais...

Espero que dentro de 8 dias a RTP cumpra os seus compromissos com os cidadãos e transmita em sinal aberto o GP dos EUA, como lhe compete.
 
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A bola, o IRS e o boné de Marcelo
Parece que a selecção de Portugal deu uma lição à equipa da Holanda. Repito: Parece que a selecção de Portugal deu uma lição à equipa da Holanda. Sim, porque o que ontem se passou foi apenas um jogo de futebol. E isto de dar lições, só se pode expressar em certa linguagem futebolística. Não vou estender-me mais para além do óbvio, a não ser que o país não pode embandeirar-se em arco com a passagem da selecção aos quartos-de-final.

Porém, era bom que pensássemos noutros dados, porventura mais emotivos. Metade dos 4,1 milhões de contribuintes que declararam rendimentos referentes à actividade exercida em 2004, acabaram por não pagar qualquer euro de imposto. Das duas uma: ou o Estado retém em excesso ao fim do mês, ou nós somos mesmo bons, não apenas na bola, mas também em contabilidade. Afinal, não somos assim tão maus alunos a matemática, tal como nos querem fazer crer.

Marcelo, o comentador sabe-tudo, apareceu ontem na TV, depois da vitória. Desta feita, com um boné do Euro 2004. MRS já se esqueceu das «bocas» que atirava sobre o populismo de Santana Lopes. O que percebe MRS de futebol, além de dizer que concorda com o que dizem os restantes comentadores da RTP, e que apoia Scolari, o homem e o treinador, em toda a linha? O boné de MRS mostra que o professor não é de levar a sério, no que toca a questões de memória. Se assim não fosse, podia muito bem passear-se pela Alemanha, com boné, t-shirt e mais o que quisesse, mas sem cair no espalhafato de se contradizer que nem um político de conjuntura. A verdade, não olhem ao que MRS diz, olhem antes ao que ele põe na cabeça!
 
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segunda-feira, junho 19, 2006
VPV


Meio mundo troça as suas palavras. Outro meio, talvez o ouça e ao mesmo tempo o ignore. Não me identificando nem com o primeiro nem com o segundo universos, confesso que sou daqueles que gosta de o escutar– apesar do seu tom de voz monocórdico e um tanto cansativo – e, sobretudo, de o ler. Estou a referir-me a Vasco Pulido Valente. Domingo à noite, pudemo-lo ver, numa rara aparição, em entrevista na :2, hoje reproduzida no Público.

Vasco fez uma análise do Portugal hodierno. Pulido não teve papas na língua. Valente apontou números exemplos do caos nacional. Eis alguns exemplos:

Para que é que temos um embaixador em Malta? Para quê? […] Porque as carreiras são óptimas.

Para que serve o Ministério da Ciência? […] Quem faz Ciência são as universidades.

O Ministério do Ambiente bastava-lhe ser normativo e inspectivo. E as Forças Armadas, por exemplo, podem ter cortes radicais sem prejudicar ninguém.

Ninguém trabalha no Parlamento. Há apenas umas 50 pessoais que resolvem tudo.

A classe média em Portugal nasce, vive do Estado.

Lúcido, Vasco Pulido Valente, contou a ainda uma pequena história, que não resisto a reproduzir. O que faz o pobre à vaca, quando o funcionário do Estado se vai embora, questionou VPV? O pobre mata e come a vaca. Porque, como frisou VPV, um pobre com fome, na primeria oportunidade, não perde tempo em matar a fome. Mesmo que fique depois sem a vaca...
 
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sexta-feira, junho 16, 2006
O brinquedo Europa


Saber ouvir quem sabe do que fala é sempre um passo sensato para quem quer fazer obra. Jacques Delors, que todos associamos a pai da Europa em que vivemos, acusou os dirigentes europeus de terem mergulhado a União Europeia na pior crise da sua história. O ex-presidente da Comissão considera mesmo que o projecto europeu está à beira do colapso. Não é o que todos sentimos no nosso íntimo, na verdade?

A Europa não precisa só de uma nova agenda. Precisa de uma varredela entre os seus dirigentes. São comissários que parecem morar numa redoma que não a nossa, líderes e deputados europeus sem visão, sem uma sequer ideia do que andam por Bruxelas ou Estrasburgo a fazer. Durão Barroso que se cuide. Ou faz alguma coisa, ou não vai ter uma qualquer hipótese de fuga e ficará na história como um dos maquinistas do descarrilamento do comboio europeu.
 
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segunda-feira, junho 12, 2006
mundial sem magia
simplesmente chato. nem superior, nem bem jogado, nem com toques de génio... foi na verdade uma ejaculação precoce que durou 4 minutos! será que é a estratégia adoptada, será que é a única forma de sermos campeões do mundo. poderíamos chamar-lhe método grego! eheheh... Portugal n4ao mostrou sangue de campeão, mas para dizer a verdade nenhuma selecçao até agora foi capaz de fazer uam grande exibição... nenhuma com a excepção da alemanha, séria candidata a ganhar o título em casa!
 
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domingo, junho 11, 2006
O orgulho nacional

Cavaco Silva passou revista às Forças Armadas nas comemorações do 10 de Junho, no Porto. De certo, o PR não se deve ter sentido incomodado com o tanque que «pifou» na parada dos 1800 militares. Sócrates, pelo contrário, sentiu alívio, já que se fosse há 10 anos, provavelmente nem haveria condições para um só carro de combate desfilar junto ao povo, declarou o PM à imprensa.

Estou estupefacto! Como é possível que as nossas FA tenham chegado a este ponto, e com tantos milhões que recebem do orçamento de Estado? Para tamanho vexame, mais valia a nossa sucata ter ficado nos quartéis.

[Hoje, disputa-se o grande jogo. O Angola-Portugal vai colar dois povos ao ecrã. Jorge Peretrelo, falecido a 6 de Maio de 2005, não iria perder pitéu do espectáculo que vamos assistir mais logo. «É disto que o meu povo gosta!», diria o jornalista se ainda fosse vivo. Esperamos que a estreia das duas selecções no Mundial 2006 tragam um espectáculo digno da alegria de Jorge Perestrelo.]
 
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sexta-feira, junho 09, 2006
Espelhos

Silêncios entroncados,
Entre o ontem e o presente.
Marcada é a face
De um tempo
Que se diz móvel.

Por que olhas ao espelho, se as rugas sempre lá estiveram?

Tamanha mostra,
De um corpo definido
Vai dos pés à nuca
A quimera dessa capciosa visão.
Não olhes, porque nada vês.

Sente.

E sentidas são as horas
Em que o mundo gira e roda.
Esquece, de vez, os cristais…
As rugas não se apagam,
O mundo é só ilusão.
 
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Tudo a postos
Começa hoje a festa do futebol. De quatro em quatro anos, é sempre o mesmo estado de loucura. Mal acaba o Campeonato do Mundo, esperamos que volte depressa o próximo. O mais rapidamente…

O futebol é mesmo o espectáculo-rei. Os Jogos Olímpicos perderam o brilho de outrora. Resta-nos, de quatro em quatro anos, viver com outra intensidade o jogo da bola maluca. E se Portugal participa na disputa, a atenção é diferente, melhor, inebriante, contagiante. Quase que esquecemos dos males que nos rodeiam. Eis o lado pernicioso do espectáculo…

Até 9 de Julho, dia da final, o país vai estar colado, ora à TV, ora à rádio, para acompanhar o desporto das quatro linhas. Até os senhores deputados vão poder sair mais cedo, para não perderem pitada dos lances dos três Ronaldos - Gaúcho, o outro Ronaldo e o nosso -, Figo, Terry, Crespo, Del Piero, Deco, Henry, Raúl… É uma constelação infindável!

E depois, bem depois, começamos a pensar nas férias. Vêm as reentrés políticas e, finalmente, as pessoas despertam para o lado real da vida. Nessa altura, já saberemos até onde chegamos. Até lá, sonhar não custa rigorosamente nada.

Eu dar-me-ei por satisfeito se chegarmos aos quartos de final. [Não é todos os dias que podemos ficar nos oito primeiros lugares das estatísticas globais.] Mas ficarei ainda mais feliz, se as pessoas aprenderem a lição de que há mais vida, além do futebol. Não basta sermos todos bons rapazes e boas raparigas, agora que começa o Mundial, e ajudarmos a velhinha a atravessar a passadeira na estrada, ou darmos uma simples esmola ao pedinte. É que logo logo, abandonaremos todas as regras de civismo, para passarmos a cuspir para o chão, chamarmos nomes à mãe de todos os árbitros desta vida, refilarmos com os nossos amigos e vizinhos, ou escarnecermos de morte os mitras que nos surripiaram o auto-rádio do nosso carro na nossa própria garagem. E regressa o trânsito, o défice, o desemprego, a escalada do petróleo, a subida das taxas de juro, enfim, o nosso tempo. O caos estará de volta.
 
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quinta-feira, junho 08, 2006
Três tristes notícias
Os transportes públicos vão aumentar a partir de 1 de Julho. O aumento oscilará entre os 2 e os 3%. Desde Maio de 2005 que andar de transportes públicos custa mais 10% no bolso das pessoas. Repito: 10%. A secretária de Estado dos Transportes considera que os portugueses «estão em condições» de aguentar esta nova subida. «Um euro e pouco», avança Ana Paula Vitorino. Serão as palavras da secretária de Estado para engolir em seco, ou para reagir?

Entretanto, o Banco Central Europeu (BCE) deverá anunciar hoje a subida das taxas de juro. Um agravamento que deverá situar-se nos 25 pontos (fixando-se nos 2.75%). Uma medida que visa atenuar as pressões inflacionistas na União. Na linha de Ana Paula Vitorino, será que o governador do BCE nos irá consolar afirmando que o aumento será apenas de uns 50 a 100 euritos, dependendo do valor do empréstimo que as famílias portuguesas - e europeias - contraíram e das taxas de spread praticadas pelos bancos? Coisa pouca…

Finalmente, o ilustre ministro da Economia decidiu viabilizar, num passe mágico, a operação de concentração da Brisa e das Auto-Estradas do Atlântico. Recorde-se que a AdC de Abel Mateus chumbou recentemente a fusão das duas empresas, defendendo assim os interesses dos consumidores que viajam naqueles percursos. E agora, Manuel Pinho decide, «em nome do interesse nacional», dar o aval à fusão? Decisão no mínimo surrealista e provocadora. O cidadão comum percebe isto: se tiver dois supermercados na sua rua os preços praticados pelos dois tendem a ser competitivos. Ganha o consumidor, vence o concorrente que praticar preços mais atractivos. Alguém acredita que a Brisa, tendo as duas principais ligações rodoviárias entre Lisboa e Porto, irá praticar preços concorrenciais? Aguardo, pois, que Abel Mateus interponha recurso da decisão ministerial junto do Tribunal de Comércio de Lisboa. Aí reside, sim, o interesse nacional.
 
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quarta-feira, junho 07, 2006
Aborto
Estamos a seis meses da entrada de um novo projecto-de lei para despenalizar a Interrupção Voluntária da Gravidez.(IVG). Devo dizer que em caso de novo referendo, acho que os resultados serão muito diferentes dos de 1998. Mas eu votarei "não" outra vez.

Voto não porque recuso o argumento de que a mulher é que tem poder para decidir. Tem poder para decidir sobre o seu corpo, sim, mas um filho tem um corpo próprio, ainda que dependa dela.

Voto não porque recuso o argumento de problemas financeiros e psicológicos para não ter um filho. Parece-me mesquinho não deixar nascer uma pessoa só porque não temos dinheiro suficiente. Há apoios do estado ainda que pudessem ser melhores. A vida muda tanto que podemos passar de pobres a ricos e de ricos a pobres em menos de nada. As questões psicológicas resolvem-se com um psicólogo, e muitas vezes, com a chegada do filho. Esses pretextos são para mim a solução mais fácil e menos responsabilizadora.

Voto não, porque não aceito que me digam que sou retrógrado, fascista, ignorante e coisas do género, só porque tenho esta posição. Esse ataque fácil, também ele intolerante de quem normalmente se acha arauto da tolerancia é no mínimo ridículo.

Voto não porque não aceito que o "sim" seja o forçoso caminho da "civilização" europeia. Dizem que todos os paises da europa já liberalizaram e não sei o quê, mas também todos os paises da europa têm centrais nucleares e nós não. Fazer só porque os outros fazem não é razão.

Voto não porque não aceito o argumento que se vai acabar com o aborto clandestino. Ele vai continuar a existir. E o número de abortos vai aumentar exponencialmente.

Voto não, porque já trabalhei com crianças em dificuldades, órfãs, filhas de pais alcoolicos, drogados e violentos. Foram ajudados por familiares, por amigos, ou por totais deconhecidos, através da Segurança Social. Todas aquelas crianças tinham todas as razões para terem sido abortadas. Por qualquer razão não foram e cresceram felizes. E também elas são o nosso futuro.


Apesar de votar não, não o faço pelas mesmas razões que a Igreja preconiza. Detesto o populismo do meu lado. Fotografias de fetos mortos, acusar quem faz abortos de assassinos a torto e a direito, etc, etc. Voto não por convicção apesar de não ter resposta para muitas das questões que o outro lado levanta, nomeadamente sobre a prisão das mulheres, sobre o facto de termos uma lei que não se cumpre em matéria de penas, e de por exemplo ser muito dificil lidar com uma gravidez de uma menina de 15 anos.
 
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terça-feira, junho 06, 2006
A morte de um símbolo

31 de Maio de 1991. É assinado os Acordos de Bicesse (Estoril) que põem fim – ainda que temporariamente – à guerra civil em Angola.

Há uma entre múltiplas imagens que retenho dessa altura. Trata-se de uma peça televisiva transmitida pela RTP. Não me lembro o seu autor, sei que a peça tinha como som de fundo uma música de Raul José Aires Corte Peres Cruz, mais conhecido por Raul Indipwo.

Depois dos estragos humanos e económicos de um conflito que assolava a ex-colónia portuguesa desde 1975, esperava-se que os Acordos de Bicesse representassem um sinal de esperança. E um sinal exteriorizado no grito do tema Vou Levar-te Comigo.

Raul Indipwo vai hoje a enterrar, em Lisboa. O músico angolano faleceu Domingo no Barreiro, vítima de doença prolongada (eufemismo para o que toda a gente subentende…)

Com a morte do co-fundador do Duo Ouro Negro, desaparece um pouco da esperança da sua terra. Angola continuará ser a terra excepcional – do petróleo, do café, dos diamantes e, sobretudo, do povo –, mas o povo, o de lá e o de cá, perdeu um dos seus símbolos.
 
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segunda-feira, junho 05, 2006
Contradições
Em 2002, o país estava de tanga, advertia Durão Barroso. Em 2005, Portugal encontrava-se à beira do abismo, acusavam os críticos de Santana Lopes. E em 2006, o país de Sócrates está em que estado?

Vem isto a propósito de uma curiosidade momentânea: estando o país em crise, em tão situação de ruptura, como se explica que os festivais de música de Verão estejam a abarrotar de jovens e menos jovens?

O Rock in Rio-Lisboa foi aparentemente um êxito de bilheteira, sendo que para 2008 a capital portuguesa será palco de mais uma edição. O Super Bock, Super Rock – que termina no próximo fim-de-semana – será, ao que tudo indica, também um sucesso de facturação.

Confesso que há situações macroeconómicas cujos contornos microecnómicos não consigo encontrar causa segura. Nem mesmo certas explicações me satisfazem. A saber: se as taxas de juro estão em subida, o petróleo já passou os 70 dólares o barril, a inflação acima dos 2%, e os rendimentos congelaram de vez, em suma, o poder de compra já teve melhores dias, onde é que as pessoas vão buscar 50 euros para um bilhete de festival de música? Onde vão, eu já sei – ao bolso dos pais, à prenda dos avós, à mesada do tio emigrante -, mas onde se inspiram para tamanha coragem?

Não suporto ver as pessoas queixarem-se de que tudo está mal, e depois arranjam sempre uns 50 euritos para ouvir a Shakira cantar My hips don´t lie ... e não têm 1000 euros para pagar propinas? Não sei quem mente mais, se as hips ou os lips
 
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domingo, junho 04, 2006
Nem um?
O contingente da GNR chegou finalmente a Timor-Leste. O entusiasmo com que foram recebidos os 120 militares portugueses não pode contudo abafar, no plano interno, algumas questões que, no mínimo, me causam perplexidade, para não dizer vergonha. Como é que um país que tem Forças Armadas envia um grupo de homens ligados ao policiamento, ainda que bem treinados? Bem sei, que a GNR tem já um know-how feito no Iraque e que recorrer aos seus serviços é uma opção mais fácil, para evitar certos confrontos entre órgãos de Estado (Governo e Presidência da República); ora, em tempo de vacas magras, para que servem, afinal, as nossas Forças Armadas?

Mas mais grave é o problema de meios: temos homens preparados para operações de paz, e nem um avião o país dispõe para os levar onde quer que seja? Foi preciso uma semana para fretar um avião à Euro-Atlantic Airways, para pôr 120 homens em Timor, território ainda que a 20 mil milhas de Portugal, como frisou o ministro dos Negócios Estrangeiros timorense, Ramos-Horta?

Na semana que findou, muito se falou na Lei de Programação Militar e no reequipamento das Forças Armadas. Estranho foi ver que vamos vender equipamento (F-16, à cabeça adquiridos nos governos de António Guterres e que não saíram dos hangares), e nem um avião de transporte dispomos para os nossos militares? Nem um?
 
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sexta-feira, junho 02, 2006
Era assim…
Lembras-te das manhãs em caminhávamos em ritmo compassado, sem horas nem destinos programados? E das tardes em que mergulhávamos, lado a lado, nos campos de malmequeres perfeitos? E das noites de céu límpido, com vontade de querer morder as estrelas?

Era assim…

Corríamos por todo o lado. Não tínhamos leis para cumprir. Era só caos e festa. Lembras-te como era chegar a casa com os joelhos rasgados pelas cambalhotas de brincadeira?

Era assim…

Se ao menos, se ao menos te lembrasses do meu nome, eu já teria conforto suficiente para aguentar as manhãs, as tardes e as noites em que me escondo no deserto mágico da solidão.
 
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A besta humana
Há muitas maneiras de dissecar e julgar as acções humanas. Umas vezes ignoramos; outras, reagimos moderadamente; no limite, revoltamo-nos.

Vem a este propósito uma simples mensagem de correio electrónico que recebi. Podia ser mais um simples caso de spam, mas não era. Tratava-se simplesmente de um email com um link. O que lá se pode visionar, é revelador do modo como não podemos ficar apáticos ao mundo que nos rodeia.

O caso que se segue é elucidativo da barbaridade humana no século XXI, ano 2006 d. C.. Com tantas formas para podermos gozar os tempos livres e viver a vida – recordo que estamos na season dos festivais de música, com o Mundial de Futebol à porta – pergunto, porquê tamanha crueldade? Será isto ócio? Será isto uma prática reiterada com convicção de obrigatoriedade, a que vulgarmente os ordenamentos jurídicos designam por costume? Mau gosto é com certeza! E senso é que não tem de certeza…

Para saber do que estou a falar, dê um salto a este link

E já agora, guarde nos seus Favoritos, para que não se esqueça rapidamente do que vi. Partilhe, por favor, com os seus amigos...
 
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O que não muda
Enquanto bebia o meu chá matinal via o programa da manhã da SIC. Veio mais uma daquelas reportagens cheias de nada sobre a selecção nacional. Pois bem, os nossos atletas chegaram ao aeroporto para embarcar a nossa esperança mas não sairam para falar com os jornalistas e adeptos. Indignação geral. Jornalistas e adeptos. Como não podem falar com os jogadores, falam entre si. Aqui fica uma conversa mais ou menos precisa entre um jornalista e uma senhora que obviamente não deve ter mais nada que fazer.

Jornalista: Então veio ver a selecção?

Adepta: Vim mas eles não vieram cá falar connosco. Tá mal

Jornalista: Vinha pedir autógrafos?

Adepta: Sim do figo e do Ronaldo. Não precisavam de vir todos cá fora, mas ao menos um ou dois..

Jornalista: estou a ver que já tem aí já alguns autografos de alguns jogadores.. [tentando ler] ora Hugo Viana...

Adepta: são de 2004 tenho os autografos de todos os jogadores

Jornalista: Então se já tem os de 2004 para que quer mais? [perguntinha estúpida mas ao mesmo tempo cheia de lógica]

Adepta [visivelmente apanhada sob o pecado da gula autográfica] Mas cada ano quero autografos novos! E se aquele policia ali [ virando-se para o agente da autoridade mais próximo que não deixava pessoas aproximarem-se do autocarro] fosse homem, levava esta t-shirt ao autocarro para os jogadores a autografarem para o meu filho, mas como ele não é homem...

Jornalista [ embaraçado e tirando rapidamente o micro da fama àquela dona de casa com a instrução de um banco de jardim] bem, alguns protestos pelo facto de os jogadores não se dirigirem aos adeptos no embarque para o Mundial [ acabando a reportagem de forma atabalhoada...]

Tal e qual.
 
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